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Gangorra

Eis-me aqui outra vez numa das extremidades

Sem hesitação diante do que vejo 

Sem medo algum do que virá

querendo o império dos desejos

 

Te espero e te sinto do outro lado

Relógios esquecidos

Celulares desligados

Pra dar lugar à excitação

Do momento

O movimento da vida

O balanço das horas

Terra que gira

Mãos

Púbis

Virilhas

Tudo ao mesmo tempo agora

 

Silêncio na calada da noite

Todas as luzes apagadas

Só a lua das queimadas

Como testemunha

 

Eis-me aqui outra vez

Nesse alvoroço

Rebuliço que mexe

Com meus bíceps

Os tríceps agitados

A pele pegando fogo

Músculos que não param

De se movimentar

Eriçados todos os pêlos

Nervos em ebulição

Peito

Costas

Pernas

Coração

 

Valham-me todos os incubus

Succubus

Centauros

Faunos

Cinderelas

Belas adormecidas

Cavalos marinhos e camaleões

As mais loucas sensações

 

Eis-me aqui outra vez

Diante de ti exposto

Exato como uma dúvida

Lúcido como um esquizofrênico

Frente a frente nossos rostos

 

Diamante raro esse que me ofereces

Como se fosse eu o que merecesse

o primeiro lugar no pódio do teu corpo

 

Todo esse mistério gozozo

Perfeitamente simétrico

A postos os iguais

Sinônimos

Singulares

Plurais

 

(Eita porra!

Cá estamos nós

Outra vez

Alucinados

Na gangorra!

Eita porra!)

 

(Jorge Abreu)